A batida sofre de loucura. O dia é noite e a noite é cura. O teu corpo despido a tapar-me a cama. O desejo sôfrego de te afagar a pele deixa-me tenso, arrepiado e louco. Olho-te com o desdém de quem quer fugir, sei que não poderia mesmo que quisesse. És a cura e a doença da minha alma. Não te sei fugir e não te sei ter. Os meus pés seguem o trilho das tuas roupas, sozinhos encaminham o resto do meu corpo! Toco a tua pele. Inundas-me de um aroma a paixão misturado com um aroma qualquer tropical que me afunda na tua pele e me faz viajar a um lugar onde sou louco prisioneiro do teu encanto. As tuas nádegas suavemente rijas, duas curvas que traçam a perfeita loucura onde todos os homem se matariam. As minhas mãos traçam-lhe os contornes, é tão suave o toque que te torna extensão do meu ser. Poderia fazer amor contigo pelo resto dos meus dias envolto da perfeição do teu corpo. Não te sei ter por menos que tudo. Subo as tuas costas, dentro de mim fervilha uma vontade de te ter que me aquece todas as extremidades. Os meus dedos queimam por dentro ao tocar-te, os meus braços contorcem-se para não te comprimirem contra eles. Começa a tocar a música. O violino nasce no canto, um arrepio percorre-te o corpo ao som dos meus dedos a escalarem as tuas costas. A minha boca contorna-te as notas do piano, tocando a nota de cada vertebra, ouvindo o som prazeroso que cada um espalha no ar. A melodia começa a ressoar no ar em sincronismo com a loucura que se contorce dentro de mim, quero-te e nego a cada pedaço de mim isso, nego-te isso. Olhos nos olhos sugas-me a vontade de te resistir. Dissipas a sanidade que me prende da loucura de te ter sem meios modos. Queres-me como um maestro quer que a orquestra lhe siga a batuta. Sigo-te o olhar que me despe, me tira o folego e me faz morder os lábios. Puxo-te para mim, soltas um sorriso, o mais espontâneo e sacana que já ouvi. Sabes bem como me aprisionar, como me excitar sem dizer uma única palavra. O teu cabelo desprovido de escravidão, solta-me o doce veneno do encontro. Cheiro-o ao passar para o pescoço enquanto as minhas mãos te envolvem a barriga e sobem ao peito. O teu pescoço, não sabes como o quero morder. Corrijo, tu sabes e esperas que o faça. Nego-te, passar os meus dentes nele e seria dele para o resto da noite. O meu corpo colado no teu, a perfeita simbiose de prazer une a pele e o calor que de nós se dissipa invade o quarto, tapa as janelas e deixa-nos sozinhos. Longe do mundo, sei que agora não posso fugir mais, sou teu, sem saber de notas falhadas ou de lugares por onde passei. O teu corpo é o sol onde quero morrer, não quero morrer de velhice, quero morrer de demência do teu corpo, de loucura pela tua alma. Quero morrer a fazer amor com o encanto dos teus olhos, com a rainha que em ti vive, com o sorriso que me faria matar se fosse preciso. Uma bateria junta-se ao violino, um tom forte, seco, compassado faz o desejo tornar-se material, corpóreo e perco o controlo dos sentidos. O ritmo é teu, a batida é minha. Entro em ti e tu envolves-me. Os teus braços envolvem-me e os meus comprimem-te contra mim. O som ecoa pelo quarto, o violino suave da tua boca, a batida louca da minha demência pelo teu corpo. Somos a perfeita melodia de dois tons em sintonia. As posições da música mudam e o som aumenta, o volume não tem regulação, a música não tem limite e tu cravas-me as unhas no peito. Um som envolvente percorre-nos e nós desfalecemos embraçados pelo prazer descomedido da última nota do nosso amor. Loucos pela sanidade de sermos duas almas apaixonadas. “Bragi” Casanova do Bairro Alto

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