como se um relâmpago me tivesse penetrado.

Que temporal. Estou solidária com o tempo. Tempestuosa. Está tudo molhado e eu incapaz de ter um pensamento assertivo.
Parei o carro, e oiço o som da água a beijá-lo. Aproveito o som e uso-o para sossegar a minha alma. Respiro fundo para me tranquilizar e eis que surge a tua sedutora mas firme voz, a ordenar que acalme a respiração, e assim manter os sentidos lúcidos, despertos e receptivos às tuas próximas investidas.
Baixei a pala, para me olhar no espelho.
Os meus olhos imploram pelo teu olhar. As minhas faces estão rosadas pelo calor que liberto. Passo os dedos pelos meus lábios, mordendo-os… Um  flash se deu diante dos meus olhos, e vejo-te. Vejo o desenho dos teus lábios e vejo-nos num beijo tão voraz, como se tentássemos aspirar a alma um do outro. Que combustão! As minhas mãos percorrem o meu corpo à medida que vivo a única memória que tenho de ti.
Olho para o banco do pendura, e o meu oração fez questão de gritar a saudade do teu colo, fazendo-me estremecer como se um relâmpago me tivesse penetrado. O meu peito aquece, a minha respiração acelera… a camisa já está desabotoada e o meu peito eriçado. E continuo a deambular naquela noite sem querer saber onde me encontro. Não interessa que esteja parada com o carro em quatro piscas, na berma da estrada. Este momento é meu. É onde te tenho. É nosso. Nada mais me preocupa, apenas o prazer que estou a sentir a delirar pela calorosa noite que o teu colo me deu.
Impressionante como as minhas mãos são astutas, e diretas . Elas percorreram caminho através da saia, e foram diretas à fonte. Fonte inesgotável de vida. De olhos fechados, estou de volta ao teu colo. Não me lembro de um lugar mais vibrante que aquele.
O teu cheiro e o respirar ofegante no meu pescoço… as tuas mãos a tornarem-me tua amante, os nossos lábios a tocarem-se na medida certa, o meu corpo a arrepiar-se a cada toque, fazem com exploda e insanamente os meus gemidos aclamem o teu nome.
Abro os olhos, sorrio e repito o teu nome. Ainda está a chover. Está tudo molhado. Ligo o carro, e sigo, pela via encharcada.

Francesca Bruni

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