Não ouses tentar despir-me

Porque ousas tentar despir a minha alma?
Porque finges realmente pretender descobrir quem eu sou?
Que fique escrito que não me vou despir para ti nem para ninguém. Nem rápido, nem muito menos lentamente para que depois me deixes ao frio, porque é isso que acontece quando deixamos que derrubem os muros onde guardamos o coração. Não gosto do frio, gosto das minhas paredes, têm várias camadas e não é por estremecer na tua presença que os muros vão enfraquecer, fica a saber que têm protecção contra os sismos.
Porque te dás ao trabalho de fingir interesse em conhecer a cor da minha alma? Imagina-a cinzenta. Nebulosa. Ventosa. Ordinária como tantas outras… é isso que irás descobrir. Por isso, parte já noutra busca.
Achas mesmo que vou deixar que satisfaças a tua curiosidade? Que provoques estragos no meu forte, para que depois, sozinha, volte a re-erguê-lo, tijolo a tijolo?
Não. Eu digo-te o que tu, e outros terão de mim. A superficie da minha pele. E é sobre a primeira camada que te irás passear, até quereres partir.
Não ouses tentar despir-me.

Casanova do Bairro Alto – Francesca Bruni

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