Era uma vez um opel corsa, era uma vez um mito, uma geração

Era uma vez…
Um velho Corsa, vermelho, meio arruinado, já lhe faltava um espelho. As escovas limpa para brisas já não funcionavam, os ponteiro da velocidade, o da gasolina estavam avariados, as portas não trancavam e a manivela para abrir os vidros estava estragada. Não tinha ar condicionado e muitas vezes sem gasolina ficava parado, em frente a casa, na auto estrada ou até na ponte 25 de Abril.
Era uma vez o meu corsa e todas as suas histórias, que mesmo sem motor guarda muitas das minhas memórias, minhas e dos meus amigos. Um Corsa, um mito, onde muitas meninas inocentes deram pela primeira vez o pito.
Era o Corsa rei do bairro alto, descarregava a malta na rua da rosa e começava o assalto, roubava-mos todas as noites um coração, nós putos da margem sul cheios de tesão, na altura faziamos colecção. E as marcas ficavam no carro, o vidro da frente rachado, porque apoiei o pé quando estava demasiado excitado, aquele amolgadela no capot de nos termos sentado lá em cima a cavalgar, o banco que já não subia depois de baixar, cuecas espalhada encontradas ao madrugar, quando a minha mãe ia passear, ficar preso na areia da praia porque queriamos fazer amor com o sol a nascer, na praia, percorrer a IC19 cada saida uma namorada, cada saida uma noitada, que loucura, até ter sido apanhado e descarregado e o corsa claro está ficou todo riscado.
E quando desciamos do bairro até ás docas o Corsa não era só um hotel era um autentico bordel, entra e sai do queens, do docks do indochina, uma volta até ao corsa de volta a dançar, de volta a caçar, amavamos todo o mundo principalmente as miudas do bar, sagradas, umas ficaram apaixonadas e confesso que tambem eu amei algumas, mas o corsa lá fora sozinho gritava e então eu lá voltava á pista e caçava, uma tinha unhas de tigre, arranhou-me as costas até escorrer sangue no banco de tráz e furou o tecido tambem, cabra filha da mãe, nunca mais a quis ver, tive que andar um mês sem tirar a t-shir para a minha mãe não ver.
O Corsa era o rei da praia da velha, conhecia todas as zonas isoladas, com vista para a lua cheia, uma garrafa de vinho e estava criado o romance tipo pequena sereia, flamingos a voar, sapos a cantar e a namorada do dia lá se ajoelhava a rezar.
Era o corsa das viagens, do algarve, do porto e foi sempre porto seguro para o meu romance, para a minha sedução, mesmo se o esperma já devia abundar no chão.
Era uma vez um corsa
era uma vez um mito, uma geração
era uma vez um ciclo
era uma vez…

alguém por ai o conheceu?

Giacomo Casanova do Bairro Alto

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A falta de Amor é a maior das pobrezas
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