Capitulo 6

Sabrina acordou por volta das nove da manhã no seu quarto, deitada confortavelmente na sua cama, vestida com as suas cuequinhas de cetim e renda negra que tinha usado na noite anterior e com uma t-shirt minha em tons de cinzento, sem sutiem. Não fazia ideia de como tinha chegado a casa nem á sua cama . Decidiu tomar um banho, vestir um fato de treino em tons de roxo e descer. Eu tinha preparado a mesa para o pequeno almoço no jardim e esperava-a sentado num dos sofás com vista para o Mar enquanto lia as noticias no nice-matin.
Bom dia Sabrina, dormiu bem? Preparei o pequeno almoço para nós cá fora, está um dia agradável pensei que ia gostar.
Bom dia, dormi que nem um anjo apesar de ter acordado com uma ligeira dor de cabeça. Não me lembro de como viemos para casa, para ser sincera desde o primeiro mojito no nikki beach não me lembro de grande coisa.. mas acordei com uma t-shirt que não é minha
Venha, tenho aqui uma aspirina para a dor de cabeça, mas primeiro coma qualquer coisa, beba um sumo de laranja, acabei de fazer.
A mesa estava cheia de fruta fresca, baguetes acabadas de chegar, sumo natural, queijos, fiambres, presuntos, tudo das quintas da região, doces caseiros de vários tipos, leite fresco e café acabado de fazer, não podiam faltar as flores frescas a decorar e a dar a alma da Provence áquele momento. Saboreámos todas aquelas bondades entre trocas de olhares por vezes cúmplices, outras interrogatórios, adivinhos, envergonhados e também divertidos, trocámos poucas palavras.
Quer café Sabrina?
Sim obrigado, mas desta vez sem grappa.
E desatámos os dois a rir. 

Servi então o café e antes que o pudesse saborear Sabrina não aguentou mais.
De quem é aquela t-shirt? Sua?
Sim, é minha.
E como é que acordei com ela vestida? Fizemos alguma coisa? Enrolamo-nos? Que vergonha não me lembro de nada do que se passou ontem, ou melhor tenho vagas lembranças mas algumas nem sei se são verdade.
Acordou com a minha t-shirt porque não me parecia grande ideia deixa-la dormir com o vestido ligeiramente vomitado.
Vomitei? Meu Deus, que vergonha, desculpe, não costuma acontecer, desculpe, não me lembro de nada..
Saímos do nikki beach e a chegar ao carro onde o António nos esperava a sabrina vomitou e a partir dai praticamente desmaiou ou adormeceu, o António ajudou-me a traze-la para o seu quarto, depois deitei-a, passei um pano molhado no seu rosto para dormir mais fresca, tirei-lhe os sapatos, desapertei o fecho do vestido fiz com que deslizasse ao longo do seu corpo e saísse pelos pés sem a acordar, depois hesitei em tirar ou não o sutiem mas achei melhor fazê-la dormir cómoda e confortável e como tal tirei para depois vestir-lhe uma t-shirt minha, não quis mexer nas suas malas para procurar o seu pijama.
Que espectáculo deprimente que deve ter sido que vergonha, ter que me despir devia estar linda… desculpe.
Confesso que a preferia despir noutras situações. Disse em género de piada.
Daquilo que me lembro da noite de ontem adorei, do jantar, da sua conversa, de dançarmos, agora lembro-me. 
Sorriu e naquele sorriso tímido vi que se lembrou que quase nos beijamos, que nos desejamos.
Hoje não se safa, quero saber como continua a história, é decididamente uma história quente, vou ter que fazer uma bolinha vermelha no canto superior do meu caderno, vou servir mais café quer?
Sim por favor, venha sente-se aqui e continue com o seu trabalho de inquisição para a Santa Igreja mas não acenda já a fogueira não vá cair em tentação durante esta história e ter que arder a eternidade junto a mim.

 

Sabrina trouxe os cafés mas em vez de me dar o meu pousou os dois na mesa, sentou-se de costas para mim e pediu-me para me aproximar, fiquei então com as suas costas encostadas ao meu peito, com o perfume do seu cabelo a invadir todos os meus sentidos, apeteceu-me abraça-la, mas nesse momento Sabrina mantendo a posição pegou nos dois cafés e passou-me o meu, disse em tom de provocação.
Vamos pecador, já que vamos passar a eternidade juntos, conte-me a sua história ao ouvido mas não caia em tentação, lembre-se que assim como os inquisidores tinham os seus instrumentos de tortura eu também tenho o meu, uma bela chávena de café quente para qualquer movimento suspeito que eu sinta no meio das suas pernas.

 

Gosto do perfume dos seus cabelos, mas terei em mente o café quente.

 

Os dias que se seguiram não tiveram eventos em particular, uma degradação progressiva a nível sexual, a toda a hora e em todo lado, de tal forma que Marta deixou de ir trabalhar e foi despedida ou despediu-se não sei. A chama que nos manteve acessos nestes quatro ou cinco dias que se seguiram foram as conversas de Bem e do Mal, de Anjos e Demónios de Luzes e de Sombras, de energias de um submundo bem real nesta relação, excitava-a através das palavras e puxava pelo lado mais negro de Marta. Vi várias vezes as sombras tomarem conta dela, quando me falava de um tal Paulo um tipo a quem tinha dado o seu sangue a beber e do qual se tinha nutrido, mas eu já controlava as sombras que a controlavam ou assim julgava e queria mais, queria ir mais longe. Levava-a então á exaustão e ela rebentava, deixava de ter controlo do próprio corpo e então era com as sombras com quem eu falava, numa dessas vezes conheci Ba’al, uma voz masculina rouca e grave a sair de dentro daquele corpo sedutor de Marta, Ba’al através dela dizia algumas frases sem nexo as primeiras vezes como: “Elas estavam sedentas de sentir a minha chama” ou “através de mim conheceram o nosso reino” e fazia questão de frisar a palavra “nosso” quando me olhava nos olhos, depois de dois ou três contactos com Ba’al (nesta altura eu já não me conhecia, usava Marta e o seu sofrimento para chegar a Ba’al) conseguimos então conversar, ele olhava-me nos olhos através dos olhos negros de Marta e dizia : “Vamos, diz-me sem mentir que nunca sonhaste em possuir um virgem e ver o seu olhar apagar-se enquanto lhe tiras o ar, era isso que eu fazia quando estava desse lado sabias?”
Eu, incapaz de virar o olhar ouvia e respondia mentalmente penso eu porque Ba’al continuava “Acabadinhas de sair do liceu, cheias de vontade de experimentar tudo, encontravam-me, adulto, maduro, elegante, que lhes oferecia uma oportunidade, nem sempre era a mesma, as vezes era um emprego, outras uma inscrição numa agência de espectáculo, outras a participação num filme, outras ainda a entrada na universidade que queriam, convidava-as para jantar para resolvermos tudo e pedia segredo sobre este primeiro encontro, pelo menos até termos concordado o que eu dava e o que eu recebia em troca”

eu acenava a cabeça e os meus olhos ficavam pesados como se mergulhados nesta versão de Ba’al com pele de Marta, e ele continuava:

“ Jantávamos sempre num restaurante elegante, boa comida e bom vinho, as virgenzinhas que querem parecer grandes não conseguem rejeitar um bom vinho, então eu dizia, para teres o que queres terás que dar alguma coisa em troca, eu alegro-te a Alma mas quero o teu corpo, aceitavam sempre sem saber bem o que isso significava” 

Marta aproximava-se de mim, senti as suas mãos á volta do meu corpo, subindo mais tarde para o meu rosto, mas a mim interessava Ba’al, e ali estava ele : “levava-as então para o meu apartamento, um chão em madeira antiga cheio de velas acesas que nos guiavam desde a entrada até ao quarto, quando abria a porta do quarto via a cama com uma garrafa de vinho e dois cálices de prata, rodeada por um circulo de velas brancas no chão, em cima do edredon fofo e branco como a neve estavam espalhadas pétalas de rosas vermelha desenhando uma cruz invertida pormenor que as virgenzinhas nem notavam excitadas de tanta atenção e novidade.” 

Sentia faltar-me o ar com a excitação, o meu coração batia mais forte e era como se eu próprio não sentisse o meu corpo.

“ despe-te dizia-lhes sem rodeios, e a partir daqui obedeciam de forma simples e tímida, quando estavam completamente nuas com aqueles corpos firmes, bem desenhados, direi que esculpidos por Deus, versava dois copos daquele liquido vermelho e propunha um brinde, para selar o nosso pacto, o teu corpo vai dar prazer ao meu para alimentares a tua alma com a tua verdadeira essência …e bebiam o que pensavam ser vinho, deitava-as então sobre a cruz de rosas invertida e ligava-as à cama, quando se encontravam imóveis deitava-me em cima delas a sentir aquele coração que ainda pulsava encostado á minha pele, sentia o calor daquele corpo, o seu respirar, sentia a sua Luz, então penetrava aquelas vaginas que de comum tinham o facto de estarem sempre quentes como as chamas do inferno e húmidas como o mundo de escuridão, uma vez dentro delas as minhas mãos agarravam o seu pescoço de forma suave ao inicio e então confessava-me, o que bebeste agora não era vinho, era sangue humano da ultima princesa da luz que como tu decidiu vender o corpo e alma a mim e ao meu mundo, todas elas tiveram nesta cama com o mesmo desejo que tu e a todas eu realizei esse desejo escondido no lado negro da alma, também tu vais morrer ás minhas mãos enquanto tens um orgasmo depois voltarei a encher a garrafa com o teu sangue misturado com o sangue de todas as outras depois de o teres bebido, para o dar por sua vez em oferta á próxima princesa da luz. Serás eterna através do sangue.… Via então os olhos em pânico o corpo que tentava soltar-se em grande agitação o que me fazia gozar ainda mais dentro delas e finalmente a Paz, os olhos que se apagavam lentamente com as minhas mãos que lhe tiravam todo o ar, um corpo que ficava imóvel e que passava nos próximos minutos de quente a frio, como adorava ficar deitado em cima delas esses minutos.” 

Senti também eu grande dificuldade em respirar e os meus olhos a apagarem-se, percebi então que Marta ou Ba’al tentava estrangular-me lutei e por fim libertei-me.

Nunca olhes o Mal nos olhos Sabrina, fiquei tão mergulhado no encanto daquele olhar que não senti que o meu corpo estava em perigo.

Por vezes falámos dos livros que ela tinha, todos eles serial killers conhecidos por excessos de violência e como consequência excesso de sangue nas descrições e nas imagens, Marta revivia constantemente o episódio do militar e dizia-me que gostaria de ver alguém morrer assim. Contou-me então que quando era fotógrafa fazia castings para oferecer books que os pais de várias menininhas de dezassete dezoito anos as traziam cheias de vontade de ser modelos e que em poucos dias Marta as transformava nas suas putas, eu naquela fase doentia adorava aquelas histórias. Quando a vontade de Marta era incontrolável lá vinham as sombras e nesse momento lá vinha mais tesão da minha parte.

Um dia o seu irmão veio visita-la a casa e ficou lá a dormir, decidimos foder encostados á porta do quarto onde ele dormia, ela gritou tanto que o irmão não conseguiu ficar mais naquela casa, quis ir embora a meio da noite. O seu estado de Alma era de tal forma negro que só pensava em afastar qualquer tipo de pessoa que por ela nutrisse amor puro.

Achei então que devia provocar mais aquelas sombras, provocar mais Marta, depois de uma noite inteira em que puxei de novo o assunto de degolar alguém, juntei a ideia de fazê-lo a uma aspirante a modelo que meteríamos numa cruz em vez de uma cama… Marta teve um orgasmo só com a ideia, masturbava-se enquanto faláva-mos disso, descrevia com pormenores cada gota de sangue que saia daquele amaldiçoado pescoço virgem. Amanheceu decidi então provocar ainda mais, mas Marta não fazia ideia que esse era o meu objectivo, disse-lhe para irmos tomar o pequeno-almoço á baixa, e assim foi, relaxamos, acalmámos, e tomámos um magnifico pequeno almoço como qualquer pessoa normal numa pequena padaria no chiado.

Eram cerca das oito da manha, levei então Marta a uma igreja muito especial para mim, a igreja de São Domingos, especial por toda a energia que sinto, energia positiva na maior parte dos casos de tal forma intensa que pela primeira vez percebi o significado de nirvana e senti-me levitar, mas também existe muita energia negativa, senti uma energia carregada de rancor e vingança vinda de almas vagantes, almas de mais de dois mil judeus queimados vivos dentro daquela igreja, sente-se o gritos deles em todos os poros do templo e esses gritos fizeram-me descer ao inferno várias vezes enquanto não os percebi, ficava agoniado, com náuseas e vómitos. È uma das poucas igrejas que sobreviveu ao grande terramoto de Lisboa e sobreviveu também a um grande incêndio. Sente-se de forma tão intensa a presença do Bem e do Mal que me leva a pensar que quanto mais perto de Deus mais próximo do Diabo.

Levei então Marta que passeava animada, meiga e sorridente à igreja de São Domingos, perto da ginginha do Rossio, aquela miuda meiga entrou no enorme portão, depois pela porta do lado direito da igreja junta comigo, dentro largou-me a mão, caminhamos devagar dando a volta completa á igreja passo após passo. Marta parecia ter dificuldades em respirar, á chegada ao altar olhou-o de frente de forma altiva, continuámos a nossa volta mas já era uma Marta firme, de testa erguida, rija, em frente a uma estátua de Cristo na Cruz, feita em barro cheia de sombras parou a olha-lo de frente, depois olhou as 3 velhotas sentadas com desprezo evidente de tal modo que as próprias velhotas a olharam com repulsa, saímos da Igreja, Marta olha-me nos olhos, tinha as pupilas dilatadas como eu nunca tinha visto, negros como carvão mas com um fundo incendiário. Disse-me “tenho que escrever” fomos direitos ao “ao outra face da Lua” pedimos um chá e Marta que continuava com dificuldades em respirar tomou dois comprimidos que não sei o que eram e escreveu este texto que te vou mostrar.

Com o meu iphone entrei no blogue: (o nome do blog estará disponivel na versao em paple do livro) e abri o texto😦 este texto só estará disponivel na versao em papel, neste texto real, Marta descreve um Homicidio dentro daquela igreja, um homicidio de uma virgem no altar e consegue descrever todos os detalhes da igreja que visitou só por tres minutos, diz que o animal que vive dentro de si nao tem piedade por ninguem) ….fiquei siderado com o texto.

A partir desse dia realizar um ritual deste género passou a ser a sua obsessão, invadia-lhe a mente noite e dia, tinha perdido toda e qualquer ligação à realidade e viajava no seu mundo perverso, mundo que por sinal também era o meu.
 

Continua a ir a essa Igreja? 
Sempre que posso Sabrina um dia levo-a comigo se nos encontrarmos em Lisboa.

  

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A falta de Amor é a maior das pobrezas
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