capitulo 7

Vamos passear? Acho que me fazia bem uma pausa e gostava de conhecer melhor a cote d’azur.
Óptima ideia, aviso-a que gosto de andar a pé por isso aconselho-a a não levar saltos altos.
Nesse caso vou mesmo assim de fato de treino. Pode ser?
Claro que sim, vou então calçar algo mais confortável para caminhar e vou também assim vestido, não gosto muito deste fato de treino mas… precisa de alguma coisa?
Não, eu estou pronta.
Quando saímos o portão de casa viramos á direita e caminhamos direcção a Antibes, passamos pela praia que já estava cheia, vimos os miúdos que começavam as aulas de vela, Sabrina dizia que nunca tinha visto uma agua assim azul e uma areia tão branca, continuamos até ao velho forte e seguimos pela muralha antigas do castelo sempre ao longo do mar onde cada casa era colorida e decorada em sintonia com aquele azul, seguimos até ao Porto de Antibes onde estão provavelmente os melhores yates de toda a riviera francesa lado a lado com pequenas embarcações de pesca tradicional e pequenas bancas que vendem o peixe apenas pescado, subimos então em direcção ao velho mercado cheio de cores e perfumes rodeado por pequenos restaurantes típicos com as esplanadas cheias de turistas, passeamos pelas ruas e vielas da velha Antibes, casas cheia de flores nas varandas e janelas um autentico postal turístico a cada esquina, não admira que Picasso tivesse por lá ficado, é apaixonante a cada passo. Eu e Sabrina parecia-mos um casal de namorados entre brincadeiras e sorrisos, ela roubava flores como uma criança, saltava, corria e eu sorria maravilhado. Sentamos-nos numa esplanada a beber um chá de jasmim e a comer uns croissants maravilhosos como só os franceses sabem fazer.
Sabe-me bem estar contigo aqui, gostava de te ter encontrado por acaso, sem esta entrevista, sem esta história, sem sombras, sem passado… sei que quase nos beijamos ontem á noite, lembro-me bem desse momento, tive vontade… a cada passo desta entrevista despertam em mim novos sentimentos, contraditórios mas igualmente intensos.
O Passado… o passado é uma sombra em cada um de nós e como já te disse antes, só com Amor eliminas as sombras, se escreveres o futuro com Amor terás um passado mais luminoso.
Também tive vontade de te beijar. Despir-te e ver o teu corpo deitado naquela cama foi tortura, esta manha sentir o teu perfume sem te agarrar foi difícil, ver-te recolher flores e não te beijar…
Escreve a história sem julgar e não me conheças pelo que te conto ou pelo que ouviste contar, conhece-me pela forma como te trato, e pelo que faço. como se costuma dizer na vida quando o destino nos bate à porta não devemos perguntar quem foste, devemos perguntar quem és.
Não vai ser fácil mas prometo que vou tentar…
Seguimos então o nosso passeio pela boulevard de Gaulle em direção ao mar e continuamos pela Albert première em direção a casa, ao chegar à porta de casa não parei, disse:
vem, quero mostrar-te um dos meus segredos.
Continuámos por mais 500 metros até encontrar uma pequena estrada de terra batida que seguia o longo mar em direção à “plage galloupe”, depois de cerca de 300 metros nessa pequena estrada onde a natureza era ainda virgem encontramos uma pequena praia escondida pelas rochas, o areal era pequeno cerca de 60 metros quadrados mas o mar era azul como em poucos sitio da Cotê D’azur e não existiam vestígios de civilização, nada de barcos pequenos nem yates luxuosos, nada de ruido dos carros, não existiam pessoas irritantes, só o grito estridente de um ou outro pássaro que em plena primavera cortejava a sua fêmea.
Vamos? A água nesta altura do ano está com uma temperatura deliciosamente quente.
Enquanto fiz este convite despi-me ficando em boxers, sabrina imitou-me ficando num maravilhoso traje composto por uma cuequinha branca de algodão e um sutien a condizer.
Quero sentir esta agua no meu… corpo.
disse soltando um sorriso sincero e hipnotizante enquanto deixava cair o seu sutien, despiu-se completamente revelando sem pudor aquele corpo divino capaz de santificar um demónio através do amor e entrou na agua, imitei-a, nadámos como dois adolescentes que faltam a primeira vez ás aulas sem autorização para irem nadar para a praia, por fim Sabrina olhou-me, de modo diferente provocador mas com um fundo de amor, sorriu com maldade mas inspirada num sentimento puro, aproximei-me, os nossos lábios tocaram-se enquanto os nossos braços envolviam os nossos corpos num abraço de saudade de quem abraça algo que faz parte de si, beijamos-nos calorosamente numa troca de sentimentos através daquele contacto carnal, os nossos corpos eram puxados pelos braços contrários de tal forma que senti a minha carne fundir-se com a sua, senti então as pernas de Sabrina que se enrolavam à minha cintura e através daquela agua quente senti o calor que saía de dentro de si, penetrei Sabrina e senti-a cavalgar lentamente, durante este tempo os nossos lábios nunca se separavam e os beijos seguiam o ritmo da penetração… Sabrina deixou então o seu corpo morto a boiar na agua e eu segurava-a com os dois braços enquanto a beijava.
Amo-te, acho que te amei desde de que te vi, talvez te amasse já antes de ter chegado… que sentimento de paz, já reparaste que este céu tem a mesma cor do mar e se olhares o horizonte não distingues onde acaba um e começa outro e no entanto são tão diferentes. Sinto-me assim desde que cheguei, somos dois seres diferentes como o Céu e o Mar e no entanto não sei onde acabo eu e começas tu, olho para o teu corpo e vejo-o meu, olho para a minha cintura e vejo a tua mão que me envolve.
Eu ouvia Sabrina enquanto via aquele corpo que boiava nas águas cristalinas apoiada nas minhas mãos, via o fruto do meu desejo e percebia tudo o que me dizia, sentia-o de igual modo, voltei a puxar Sabrina para mim e envolvi os meus braços abraçando o seu corpo, beijamos-nos de novo e assim ficamos, remetidos ao mais sagrado dos silêncios. O Silêncio da compreensão, o silencio da fusão de dois corpos, silêncio do encontro de duas Almas distintas que no entanto num passado distante já foram uma única Alma, um silêncio que abafa todo o ruído do mundo e nos eleva como transportados dentro de uma bola de sabão à Santidade do Amor. Amo essas palavras ditas num silêncio de quem grita sem voz.. Mais importante do que se diz pode ser a intensidade do silêncio…
Passeámos então por mais quinhentos metros nesse caminho por entre ravinas estreitas num caminho se não secreto pelo menos pouco conhecido feito de uma paisagem maravilhosa entre o Mar e as flores da Provence, até um pequeníssimo altar que passa quase despercebido a quem possa por ali passar, uma pequena homenagem ao Mar.
Poucas devem ser as pessoas que aqui vem rezar, tirando eu que venho todas as semanas para falar comigo mesmo neste sitio de paz. Não sei quem terá realizado este altar nem com que objectivo, talvez algum pescador, não sei, mas queria que te sentasses e te deixasses envolver por todo este grande Manto Branco que o Mar te oferece.
Sabrina sentou-se, de pernas cruzadas e assim ficou, imóvel por meia hora, talvez a meditar, talvez mergulhada no nosso silêncio.
Obrigado… sei porque o fizeste, obrigado por me quereres proteger.
Beijou-me de novo…
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A falta de Amor é a maior das pobrezas
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