Capitulo 9

Chegou uma violenta tempestade, trovões, relâmpagos, chuva torrencial, vento ,aquele céu azul transformou-se numa enorme massa de nuvens negras, a chuva batia nos vidros empurrada pelo vento, à chuva juntavam-se as ondas, a casa parecia que podia ser engolida pela água de um momento ao outro. O Silêncio radioso da primavera foi substituído por um ruido dantesco de trovoada, Sabrina olhava a força da tempestade num misto de admiração e medo.

Acendi a lareira, a tempestade estava para ficar.

Queres um chá Sabrina?

Sim.. com este tempo sabia bem.

Preparei então um chá de jasmim e servi Sabrina, sentei-me a seu lado a observar a tempestade.

Não sei se consigo fazer mais perguntas hoje, ou melhor, não sei se aguento mais respostas hoje… È tudo tão,.. nem sei a palavra certa… podemos fazer uma pausa? Se continuamos não sei se vou conseguir voltar a olhar para ti.

Vem , vamos sentar-nos no chão a olhar o mar, quero sentir a força da tempestade de perto.

Sabrina seguiu-me , sentámos-nos a olhar a tempestade em silêncio.

Fecha os olhos, deixa-te envolver pelo som do vento, dos trovões, das ondas agitadas a bater no vidro, sente o perfume a jasmim do teu chá, vive este momento com todos os sentidos, agora tenta ouvir o palpitar do teu coração, ouve bem, concentra-te nele envolvida em todos os sentidos.

Sabrina teve os olhos fechados cerca de 10 minutos, sentia tudo á sua volta e procurava sentir dentro.

Agora que encontraste o teu coração quero que olhes no fundo dos meus olhos assim que abras os teus.

Sabrina abriu os olhos e mergulhou no profundo da minha alma, aproximou os seus lábios e beijou-me, o seu corpo estava quente como eu nunca o tinha sentido, abraçou-me e voltou a beijar-me.

Vamos lá para fora, quero fazer amor contigo enquanto sentimos a força desta tempestade. disse-lhe.

E fizemos amor debaixo daquela maravilhosa chuva torrencial empurrados pelo vento que vinha das montanhas, os nossos corpos moviam-se ao ritmo dos trovões, foi como se a força daquela tempestade quisesse entrar na nossa união, Sabrina mordia-me os lábios enquanto cavalgava em cima de mim. Numa explosão mais forte de um trovão os seus dentes rasgaram o meu lábio e a sua língua lambeu o meu sangue…rebentámos num orgasmo e ficamos imóveis, abraçados com a chuva que nos abençoava por longos minutos.

Subimos ao meu quarto, entrámos no duche e desta vez fizemos amor debaixo de água quente a escorrer nos nossos corpos… Deitámos-nos pela primeira vez na minha cama, Sabrina deitou a sua cabeça no meu peito e adormeceu. Eu fiquei longos minutos a observar os seus traços e a acariciar o seu corpo, por fim adormeci também eu.

Acordei a meio da noite com alguns gemidos de Sabrina que dormia ainda no meu peito, ardia em febre, beijei-a, meio a dormir retribui-me o beijo. Fui buscar algo para baixar a febre, dei-lhe para tomar e voltei a deitar-me, a sua temperatura passava dos 40º voltei a beijar Sabrina e retribui-me um beijo prolongado, puxei-a para mim e senti todo seu corpo arder, sabrina beijava-me e eu senti uma enorme vontade de a possuir, enfiei então o meu pau muito devagar para sentir aquele calor centímetro a centimetro, sabrina subiu para cima de mim e depois de sentir o meu orgasmo disse “não tires, quero dormir assim”. Adormecemos febris um pelo outro.

Sabrina teve febre alta durante três dias, o médico que a veio visitar a casa disse tratar-se de uma forma forte de gripe e que não devia por motivo nenhum deixar a cama. Durante três dias e três noites fui o seu enfermeiro, na maior parte do tempo Sabrina dormia e eu ficava sentado a ver aquele rosto angelical. Dormia-mos juntos e fazíamos amor quando Sabrina com o corpo a ferver me agarrava a meio da noite.

Ao quarto dia quando acordei Sabrina não estava a meu lado, encontrei um bilhete em cima da sua almofada. Dizia: “Amo-te demais para saber o resto da história e Amo-te demais para poder continuar perto de ti. Volto a casa, Adeus!”

Encontrei mais tarde o seu bloco de notas em cima da cama no quarto de hóspedes. Fiquei atordoado com aquele acordar, há já muito tempo que não entregava a minha alma a ninguém, por um lado senti-me abandonado mas por outro era inevitável esta reacção de Sabrina mais cedo ou mais tarde. De qualquer forma não conseguia deixar de pensar em Sabrina e dos seus dias de febre, de como tinha o corpo molhado pela tempestade de verão, de como ardia em febre ao entrar em casa, fui enfermeiro, tratei de dela, sequei-lhe o cabelo molhado, vesti-lhe uma t-shirt minha, fiz-lhe um chá com mel e dei-lhe comprimidos para baixar a febre mas nada, o seu corpo ardia e Sabrina falava entre a razão e o delírio da sua mente, deitei-a na cama e deitei-me a seu lado, senti então o seu calor, a sua febre, o seu delírio… e esse delírio foi meu, foi nosso, contagiou-me, enlouqueceu o meu corpo… Sabrina aproximou-se e sentiu-me arder, fizemos amor, quentes de febre e mais quentes de paixão e assim dormi-amos , eu dentro de Sabrina apaixonadamente febril. Sabrina tinha partido, mas ficaria comigo para sempre. Sabia disso e no entanto uma dor lacerante trespassava o meu coração. A dor de quem ve um sonho desaparecer. a dor de um amor que choca de frente com o passado e o passado já se sabe é um fantasma dificil de afastar.

Sai de casa para espairecer e caminhei durante horas pelo longo mar, sentei-me imóvel num ponto isolado depois de cannes la bocca mas que nem sei precisar exactamente onde, estava aéreo, meio perdido e assim fiquei sentado, imóvel a ouvir o Mar.

Nunca tiveram aquela sensação de que a resposta está no Mar? Que precisam de olhar para o Mar, de sentir a força das correntes, ouvir o rebentar das ondas ou sentir o sal na vossa pele para saberem o que querem?! Talvez porque esse dialogo silencioso com o mar seja um modo para conversar Deus e ao mesmo tempo de terem a vossa conversa convosco…. Eu preciso, a cada passo, a cada etapa nova..

Quando me apercebi já era noite, voltei a casa. Já nao era a criatura magoada e perdida que saiu de casa em lagrimas para caminhar. Era de novo eu e sabia exactamente  o que fazer.

Abri um bom vinho tinto, desta vez Italiano, Chianti, sentado no sofá, abri o bloco de notas de Sabrina e comecei a escrever… decidi que iria contar-lhe toda a história, mais tarde pensava no modo de enviar-lhe o seu bloco de notas.

Escrevi então com a maior imparcialidade possível aquilo que aconteceu nos meses seguintes…

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A falta de Amor é a maior das pobrezas
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