Capitulo 11

Pedi a António o meu motorista que tentasse encontrar a morada de Sabrina, António trabalhava para mim há cerca de dois anos depois de ter trabalhado por vários anos como investigador na Policia Judiciária de Lisboa e de ter tido uma pequena Empresa de investigação dedicada na maior parte dos casos a mulheres que querem apanhar o marido em flagrante com as calças na mão para terem direito ao divórcio com alimentos, confiava em António bem mais do que era normal confiar num simples motorista, sabia que mais cedo ou mais tarde António encontraria Sabrina, nem sempre usava métodos tradicionais, morais ou até legais mas apresentava sempre resultados, sim, podia estar tranquilo, encontraria a minha Sabrina.Depois de assinar 3 ou 4 documentos e cheques que serviam a António para esta sua pesquisa, voltei então á minha história para entregar a Sabrina, e assim continuei:

Tinha-mos um problem. tinha-mos um problema dos grandes, a partir daquele momento não eramos só dois loucos cheios de fantasias escuras, eramos dois loucos que fizeram uma loucura que os fez rebentar em orgasmos, tesão, adrenalina, mas essa loucura para o resto da sociedade tinha um nome exacto ;homicidio .  

Assim depois de passar a excitação, envolvi com amor os meus braços ao redor de MARTA  pela costas e assim abraçados, em pé em frente á cama olhávamos o corpo de Alina que jazia numa paz inquietante , cheia de sangue, num dos braços que pendia na cama pingavam ainda algumas gotas no chão, Marta  soltou-se do meu abraço, aproximou-se do corpo, meteu Alina deitada com as pernas juntas e os braços abertos de forma simétrica, passou o dedo no pulso aberto, aproximou-se pintou os meus lábios com aquele baton vermelho sangue e beijou-me dizendo com uma voz masculina que reconheci imediatamente, “trouxemos mais uma princesa de Luz ao Reino das Sombras.”

A voz de ba’al  acordou em mim algo de revoltado, sabia que Ba’al tinha sido eu, Sabia que aquele demónio era a minha vontade profunda e que afinal nunca se tratou de uma sombra dentro de Marta , foi sempre dentro de mim que viveu, Marta  foi tão somente um corpo que usou para me despertar, despertar o que eu queria, ou pelo menos assim pensei naquele dia.

Disse a Marta  que agora não tinhamos alternativa, temos que pensar o que fazer com o corpo de Alina, mesmo sendo uma emigrante que tinha chegado á pouco tempo a Portugal, sem rede de amigos ou familiares, eventualmente mais cedo ou mais tarde alguém daria pela sua falta e sempre eventualmente alguém chegaria ás várias casas que limpava. Assim perguntei a Marta  “ Até onde chega a tua loucura, estás pronta a seguir-me?”

A resposta foi simples “até onde a loucura seja banal”.

Beijei-a de novo, tomamos um banho, vestimo-nos e saímos para comprar flores, de mão dada fomos a uma florista na baixa compramos 24 rosas vermelhas acabadas de desabrochar, tomámos um chá na brasileira do chiado e voltamos a casa, com as pétalas desenhamos uma cruz em torno a Alina e assim a deixamos para sempre entregue a si.

Disse a MARTA  que pegasse numa mochila com algumas peças de roupa e que não fizesse perguntas, veste-te de forma confortável e vamos embora, tenho em mente o nosso crime perfeito.

 

Essa noite dormimos no internacional design hotel no Rossio, o quarto moderno deu-nos a paz que precisávamos, dormimos agarrados, apaixonados, Marta  deitada no meu peito que contava pequenas histórias de quando era criança, eu que sentia aquele perfume dos seus cabelos e o calor da sua pele, era como se o episódio de algumas horas atrás fizesse parte de um outro mundo que não era o nosso, estávamos envolvidos num manto de Luz branca e não existia perigo que as bestas negras pudessem entrar agora.

Na manha seguinte depois de um bom pequeno almoço no hotel com vista para a agitação da rua Augusta , saímos e compràmos alguma roupa e uma mochila para mim. levei Marta  até santa Apolónia. “onde vamos?” perguntou, “por ai, vamos alimentar a nossa essência, vamos procurar a fonte da eterna loucura”. Comprei dois bilhetes em primeira classe para o Sud Expresso que nos levava de Lisboa a Hendaye na fronteira entre Espanha e França, uma viagem de 12 horas onde elaboramos uma linha geral do nosso plano, Alina tinha sido apenas uma entrada, decidimos que queríamos o banquete completo.

 O cheiro intenso e nauseante tornava-se insuportável, estavam habituados a ciclos de mau cheiros daquela vizinha quando se fechava em casa durante dias, mas nada como este cheiro, tinha passado uma semana desde que Alina tinha sido abandonada naquela cama, em Paz, com o olhar feliz.

Os primeiros policias a entrar não conseguiram aguentar o vómito, deram de caras com um espectáculo que estavam habituado a ver só nos filmes de Hollywood, rapidamente chegaram ao nome de Marta  e mais rápido ainda emitiram um mandato de captura em seu nome com fotografia em anexo para todas as esquadras de policia.

  

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A falta de Amor é a maior das pobrezas
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