capitulo 13

Acordei de madrugada, preparei um café e fiquei a ver Marta que dormia nua com a sua pele branca tranquila como um anjo agarrada ao corpo gelado, rijo e negro como a escuridão que o devorou de Louise. Era doentio mas ao mesmo tempo poético saber que podes desejar alguém assim tão perturbada.

Desci para preparar o nosso plano e quando voltei trouxe o pequeno almoço. Marta ainda dormia, dois corpos inanimados lado a lado, um branco outro preto, um quente outro frio, um vivo outro morto ambos parte da nossa loucura, ambos nus, ambos sexys.

Acordei Marta com um beijo, tomámos pequeno almoço, depois levei-a á casa de banho onde tinha duas embalagens de tinta para o cabelo, uma loira e uma ruiva, junto com uma tesoura.

Não vão demorar a ligar o que se passou em Lisboa com o corpo de Louize rodeada de velas e deitada na cruz de rosas, e mais cedo ou mais tarde vão ligar também o puto de ontem, por isso escolhe a cor e vamos cortar o cabelo.

Eu rapei o cabelo e MArta ficou com o cabelo pelos ombros… ruiva em homenagem á noite anterior, antes de sair deitamos um ultimo olhar aquele corpo preto deitado num manto branco sobre uma cruz de rosas vermelhas rodeado por velas que perfumavam de jasmim.

Ba’al teria ficado orgulhoso pensei.

Tinha comprado dois bilhetes no tgv de Lyon para Paris e de Paris para Bruxelas, mas escolhi lugares em carruagens diferentes, se já tivesse sido emitido um mandato procuravam um casal, ela morena de cabelo comprido escuro ele de cabelo castanho tamanho médio.

De Bruxelas seguimos de imediato para Amesterdão sempre em lugares separados, em Amesterdão essa noite ficamos num pequeno hotel perto da estação, sem documentos pagamento em dinheiro e reservámos por duas noites.

Marta teve pesadelos a noite toda, sonhava com perseguições, acordou sobressaltada a dizer que não queria viver escondida num sótão como Anne Frank, que eu não podia permitir isso. Dizia que “não podia viver escondida por ser aquilo que é.” Dizia-me: ” ninguém tem medo de ser imoral ou ilegal, todos, na nossa cabeça já cometemos crimes, já violámos, já roubámos, já matámos, a única coisa que os impede de passar da fantasia à realidade é o medo da punição e assim como temos medo de ser punidos pelos actos, temos medo de ser socialmente julgados pelos nossos pensamentos, esse julgamento social faz com que seja a vergonha e não a moral o principal regulador da sociedade…

porquê que nos perseguem?”

Acabou por adormecer…

Acordámos felizes, felizes e despreocupados, estávamos em Amesterdão e não existia nenhum local no mundo mais indicado para nós naquele momento.

Amesterdão protegia-nos, cidade cheia de turistas, onde comportamentos sexuais desviantes são o prato do dia, drogas ao virar da esquina, prostitutas nas vitrines das lojas, grupos de turistas bêbados ao meio dia, mulheres de vestido floreal a andar de bicicleta, casas sem cortinas como num big brother, cidade de excessos, sim estávamos seguros em Amesterdão.

Saímos do quarto por volta da hora de almoço, demos um passeio perto da estação de comboios e sentamos-nos a almoçar num restaurante italiano perto dum canal.

Comemos massa à bolognesa e bebemos duas garrafas de vinho tinto Italiano, Nero D’avola.

No fim do almoço fumámos uma ganza que nos trouxe o empregado do restaurante, estávamos no céu, o sol, o vinho, a ganza, o canal, e a nossa cabeça que pensou em simultâneo, Red light…

Passeávamos agarrados e aos beijos em frente ás vitrines , era um autentico “freak show” para todos os gostos e feitios, novas, velhas, altas, baixas, magras, gordas, brancas, pretas, chinesas, holandesas, brasileiras, dominicanas, homens vestidos de mulher, trans operados e por operar, de tudo, bastava escolher, comprava-se um corpo humano como quem compra gado num mercado de aldeia, mas muito mais barato.

Decidimos aproveitar dos saldos, mas não sabíamos o que queríamos, sabíamos que queríamos os dois juntos. Escolhemos um travesti chamada Bianca, que ainda não tinha feito a operação, meio homem meio mulher, cerca de 1,70cm moreno, com peito de silicone grande e bonito e com um pau bem aviado, lá negociamos o preço e entrámos no “escritório”, Marta quis chupar-lhe as mamas junta comigo enquanto o masturbava, depois mandou Bianca deitar-se e deu-lhe o meu pau a chupar enquanto chupava o de Bianca, mais tarde juntou-se a ela a chupar o meu, nunca me tinham feito um broche tão bom, aquelas duas bocas fizeram-me explodir .. saímos mais apaixonados… mas começamos a sentir falta de mais qualquer coisa.

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A falta de Amor é a maior das pobrezas
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