capitulo 14/15

“Encontrei-a” disse António no sms que me enviou… “Sabrina está em Milão, a fazer perguntas de como tudo começou, como devo agir?”

A mensagem abalou-me, imaginei que Sabrina tivesse regressado ao Porto por não querer lidar mais com esta história e afinal descubro que estava em Milão a desenterrar o passado e as suas perigosas revelações.

Desde que Sabrina abandonou a minha casa, os meus dias tinham sido a escrever  e a reviver o que se passou, andava agitado com essa viagem ao passado mas acreditava que era necessário para ser fiel ao que prometi a Sabrina, afectava-me também a ideia que Sabrina tivesse optado por abandonar esta relação que nascia para não ter que lidar com o que aconteceu, mas afinal esta noticia de António mostrava o contrário, Sabrina não queria apenas a minha versão, queria saber mais, queria recolher toda a informação e não bastava só aquele que eu fornecia. Por que motivo? O que procurava Sabrina?… estava confuso.

Respondi a António, “mantém Sabrina debaixo de olho, sem te fazeres notar, por volta da hora de Jantar chego a Milão”

Sabrina estava hospedada no hotel Ibis, perto da “piazza della republica” e eu reservei um quarto no Grande Hotel Verdi na  “ via melchiore gioia” eram perto o suficiente para a controlar e longe o bastante para evitar encontros imprevistos.

Cheguei ao hotel por volta da hora de jantar, arrumei as poucas coisas que levei comigo e fiquei a sentado na cama a pensar como seria reencontra-la assim, de surpresa… António tinha-me informado que Sabrina estava a jantar numa pizzeria. pedi-lhe que me informa-se de todos os passos, principalmente de quando regressava ao hotel.

Por volta das 23 horas Sabrina regressou ao seu quarto no Ibis, ás 23.30 o telefone do quarto de Sabrina tocou, era da recepção com uma mensagem. “Signorina entregaram um envelope para si na recepção”

Sabrina desceu, retirou o envelope e dirigiu-se ao bar, pediu um gin tonic antes de abrir o inesperado envelope, bebeu um gole prolongado antes de ganhar coragem e por fim lá abriu a mensagem misteriosa.

“Espero por si as 24:00 no Bar 35, pergunte na recepção, fica perto”

Sabrina olhou o relógio, faltavam 15 minutos, bebeu o gin e perguntou á empregada se conhecia o Bar 35, a simpática italiana indicou-lhe o caminho para uma bar que ficava a 5 minutos do hotel.

Sabrina caminhou por uma rua à saída do Ibis cheia de pequenos bares, por momentos teve a sensação de não estar em Itália, muito menos em Milão, eram bares turcos, egipcianos, da eritrea, bares gay, bares nigerianos e senegaleses, somalis, uns com um design elegante outros autenticas tabernas covos de criminosos e negócios pouco claros, o 35 era um dos poucos bares elegantes da rua mas nem por isso os negócios eram mais limpos.

À porta um grupo de amigos fumava, duas mulheres morenas com peito de silicone e lábios refeitos na casa dos 40 bebiam vinho tinto e flirtavam com dois “casanovas” da mesma idade que preferiam mojitos, um grupo de jovens modelos de leste estavam na companhia de um homem de 60 anos em amena cavaqueira, todos com flutes de champagne, ao entrar no bar35 viu um balção com bancos altos todos ocupados e onde os clientes em conversa entre eles tinham vários cocktails coloridos à frente, os barman não desiludiam a rua multi-étnica um senegales e um espanhol davam alma e elegância ao local, das 5 mesas 4 estavam cheias, umas com casais apaixonados outras com grupos de amigos e pelo que se apercebeu uma mesa com um grupo de desconhecidos solitários que se tinham acabado de conhecer no bar e partilhavam uma bebida em companhia, a única mesa vazia tinha um cartaz a dizer “riservato per Sabrina” e tinha uma garrafa de espumante por abrir no gelo.

“Ciao “

Sabrina olhou-a, 1,65, morena, magra, peito médio, lábios carnudos e olhar profundo, perto dos 50 anos, Isabella era italiana mas com origens espanholas da andaluzia. Sabrina só conhecia o nome de Isabella, ouvi-o como uma sombra em várias investigações de crimes internacionais e finalmente agora podia dar um rosto áquela sombra.

Olá, respondeu Sabrina.

As duas sentaram-se na mesa daquele pequeno bar e abriram a garrafa de espumante de franciacorta, brindaram e Isabella foi directa ao assunto.

Trouxeste o que te pedi?

Sabrina disse que sim, e entregou um envelope com uma fotografia de Pedro que dormia ao seu lado.

Então é mesmo verdade… está livre e vivo…

Sim… e se me deres todas as informações que prometeste digo-te onde o podes encontrar.

Eu só conheço umas partes da história que te conto em seguida, mas para perceberes o que queres não chega, tens que investigar uma ligação estranha a um mundo espiritual que não conheço nem acredito. Mas digo-te o que sei, foi isso o combinado..

Desde o primeiro dia que o vi, fiquei enfeitiçada por aquele puto português que me olhava nos olhos de uma forma tão intensa que parecia nem ligar ao pequeno detalhe que eu estava ali com um representante de uma família mafiosa calabresa da ‘ndrangheta. Encontramos-nos num café aqui em Milão, na via Vitor Pisani a primeira vez para tentar encontrar um modo de voltar a meter no mercado cerca de 70 milhões de francos suiços provenientes de um assalto à central de correiros suiços há mais de duas decadas. Como em todos estes “negócios” exitem mil falcatruas e mentiras, já ninguém respeita o código de honra… e assim sendo pedi prova àquele puto, o Pedro, da existência de tal dinheiro, fê-lo de imediato entregando-me 3 notas dizendo que podia controlar o numero de serie e que assim confirmava a proveniência. era dinheiro demasiado quente e poucos arriscavam a brincar com os Suiços quando se trata de dinheiro.. Na Suiça podes cometer um homicídio, mas nunca tocar nos bolsos do suiços. Como alto dirigente de um banco suíço, sei isso como ninguém. Aquele café deixou-me curiosa, como é que tinha chegado até mim, como teve acesso a esta rede de contactos que apresentava e na qual, via-se, movia-se com familiaridade, um estrangeiro, puto, em Milão.. estranho, muito estranho, maior estranhesa ainda quando nos dias seguintes me levou a alguns consulados e embaixadas, a fundações e a políticos de tal forma de topo que eram precisos meses para ter uma resposta da secretária. Apresentou-me generais angolanos com lotes de diamantes em bruto para vender e com todo o estratagema montado para operar em sem levantar suspeitas no governo angolano, tinha acordos com a transportadora russa  para garantir o transporte sem perguntas e garantindo a entrega.. e nós comprávamos ou arranjávamos comprador. Com a embaixada da Siria fez uma publicação com a sua pequena empresa que ajudava a limpar o nome de extremista à nação Siria junto dos italiano, hoje com a guerra na siria é fácil perceber o porquê dessa publicação, e nós financiámos. Letizia Moratti a presidente do municipio de Milão fez o prefacio. Trouxe um ex-deputado português à Suiça, Mendrisio para um negócio com uma refinaria de ouro, que comprou a exclusividade de uma reserva no Ghana, e nós fomos o banco “oficial” do negócio. Trouxe prédios que o Vaticano precisava vender por canais não oficiais e trouxe vários monsenhores á Suiça com negócios das fundações pouco católicas espalhadas pelo mundo.

Em pouco tempo, conseguia ganhar a confiança de qualquer pessoa, ele, um puto estrangeiro, sem passado.. e era esse sem passado que era inquietante, o que por um lado era bom, porque ninguém podia ser acusado de ter uma ligação com uma sombra, mas por outro lado existia um risco elevado de essa sombra desaparecer sem deixar rasto, no fundo quando o sol atinge o seu ponto alto a sombra desaparece, e foi o que aconteceu.. alguns destes negócios foram levados para a frente e aquele puto sombra, inofensivo, era o único a saber de todos em contemporâneo ele assim como nós banco instituição mas com pessoas diferentes ao comando de cada operação, assim aquele puto inofensivo conseguiu, sabemos agora que foi por culpa dele porque na altura não ligámos a essa coincidência, fazer em modo que todos esses negócios fossem concluídos na mesma data e nessa data deviam ser pagas todas as recompensas em dinheiro pela corrupção, favores etc.. e o Pedro era o “pagador” visto ser ele o contacto com quem realizou a operação, era ele que entregava as várias malas com dinheiro a quem tinha facilitado o negócio. Todos os negócios foram feitos, mas na altura de pagar aos intermediários o Pedro “morreu” num assalto à carrinha de valores onde seguia com as malas, pelo menos assim dizia o relatório do médico legista.. mas que levantaram duvidas, muitas duvidas que  fosse mesmo ele, de tal forma que tentamos fazer um teste de ADN., mas como uma sombra verdadeira não existia nada com que se pudesse comparar, naquele dia desapareceu Pedro e cerca de 50 milhões de euros. Como deves calcular Sabrina isso irritou muita gente, gente que não está habituada a ser irritada, gente que mata pessoas e mosquitos com a mesma indiferença e essa gente procura o Pedro, mas os anos foram passando e afinal de contas os negócios foram feitos e os 50 milhões eram só para intermediários que nem podiam fazer nada quanto a isso, por isso deixou de ser alvo de caça ao homem para ser alguém que deve pagar para dar o exemplo.. penso que Pedro sabe isso e que esse é o verdadeiro motivo pelo qual nunca mais voltou a Milão desde esse dia.

A coisa curiosa é que nunca ninguém o odiou, todos falam com uma certa admiração, viam nele um desprendimento, sempre pronto a partir, a conhecer, a aprender, era cativante com as palavras, charmoso, seguro, tinha um olhar forte mas doce. Eu, quando me contactaste a primeira coisa que pensei foi, ainda bem que o puto está bem, agora que tenho a certeza, talvez tenha de informar o banco da situação, ainda não sei, talvez o encontre primeiro eu e só depois informe o banco.

Da ligação que falas e dos crimes sucessivos nada sei, mas lembro-me que me dizia, “não penses nisso, sente, tens que sentir o que está a chegar, só assim podes antecipar os que se limitam a pensar., o Mundo fala várias linguagens e na maior parte das vezes fala no vento gelado, fala no sol quente, no brilho da lua, num ruído fora de sitio, fala em sinais, temos que estar abertos a essa linguagem”… eu falo quando quero dizer alguma coisa e isso basta-me. Outra vez falou-me do triangulo da luz, três cidades, sei que uma era Torino, sei disso porque era lá que estávamos quando me falou disso, mas disse-me também que torino era do triangulo da luz e da escuridão ou sombras, e que ele bebia das duas… mas depois do terceiro Mojito já não ligava a nada do que me dizia.

Agora diz-me Sabrina, onde o posso encontrar?

Actualmente vive em Lisboa, não sei a morada, a entrevista e todo o encontro foi num hotel.

 

 15

Aquele email chegado aos escritórios da Policia judiciária de lisboa não deixavam duvidas a mão ou as mãos que mataram em Lyon eram as mesmas que tinham já actuado em Sintra, o mesmo ritual que tudo levava a crer que estivesse ligado ao satanismo, uma cama branca, circulo de velas, rosas, sangue.

O Inspector encarregado do caso de Sintra contactou a gendarmerie de Lyon, pediu que enviassem toda a documentação do caso e lançou um alerta com a foto da suspeita do crime português para as policias de toda a europa.

Decidiu investigar mais a fundo o passado da suspeita e rapidamente chegou ao episódio do convento alentejano.

Seguiu no dia seguinte para Lyon mas com a certeza que os assassinos já não estariam na cidade, talvez nem estivesse no país.

 

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A falta de Amor é a maior das pobrezas
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