prometeste-me mais uma vez

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Enquanto esperava por ti, antecipava o desfecho daquela noite. Pressenti, que iríamos começar em discussão, e acabar com o coração esquartejado pelas palavras mais vis que se encontrassem na ponta da língua, para nos magoarmos um ao outro, da forma mais odiosa possível.
Mas, não é que chegas, agarras-me pelas nádegas e puxas-me para que encaixe as pernas nas tuas ancas? Entre a espada e a parede sugaste os espinhos que cresceram no meu peito, e derreteste o meu sangue congelado.
Recordo que aquele beijo saudoso era salgado. As lágrimas romperam do peito e salgaram os nossos lábios que assumiam um tom cada vez mais vivo pela intensidade com se esfregavam.
Com os pés assentes na terra, embalaste o meu rosto com as tuas mãos grandes e fizeste-me mais uma vez sentir pequena. Ternamente sorriste e prometeste nunca mais me fazer ter frio.
O teu olhar, nos meus olhos castanhos, é tão quente, tão reconfortante.
Perdes-te nos meus pequenos lábios, finos e vermelhos fazendo-me mordiscar o lábio inferior sob o teu profundo olhar.
Descontrolaste-te quando larguei o meu sorriso inocente e ao mesmo tempo tão revelador do que quero que faças, ali, na ombreira daquele prédio.
Ter o corpo que se ausentou por um tempo que me pareceu eterno tão colado em mim, faz-me querer que o tomes para ti.
Às vezes, acho que a diabinha que existe dentro de mim, sussurra no teu ouvido, exactamente o que quero, o que preciso, onde, quando e como, pois tu és certeiro em cada investida que tens sobre mim.
Perco o meu olhar nos teus lábios.. eles são terrificamente apetecíveis, o sabor da tua boca, é indecifrável, o atrevimento da tua língua é vulcânica. Ai a tua língua. A tua língua dentro da minha boca, faz-me palpitar entre as pernas.
Que desejo que trago… e tu, delicias-te com a expressão com que o meu rosto pede por ti.
Meu amor, não me lembro de tudo que queria que me fizesses, mas desconfio que se nada fizesses, acho que iria desmaiar com tanta luxuria que carregava naquele dia.
Mas como sempre, só quando avistas excitação na humidade que os meus olhos revelam, é que procuras o calor que liberto entre as pernas. Fizeste-me engasgar no instante em que me devoraste num beijo ofegante que me descompassou o coração… os teus dedos, massajaram, acariciaram, apertaram incansavelmente, e invadiram o coração que ameaçava saltar entre as minhas coxas. Todos os meus músculos se contorceram, as forças centraram-se no clímax por isso mesmo, seguraste-me contra o teu peito, enquanto relaxava e as palpitações desaceleravam.
Ali, naquele prédio, sentaste-me no teu colo, e apertaste-me a favor do teu corpo, e prometeste-me mais uma vez, nunca mais me fazer sentir frio.

Francesca Bruni #casanovadobairroalto

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Nas relações nem sempre é primavera.

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Daqui em diante vamos ver a nossa história crescer linha a linha, aumentando a cada novo parágrafo. Seremos as personagens da nossa história. A tinta já começou a correr, as vírgulas e os pontos finais já são pontuados e as interrupções e exclamações parte dos nossos momentos.

Ao primeiro beijo somamos muitos e muitos outros, depois do primeiro abraço vieram tantos mais e serão outros tantos os que estão para chegar. Após a primeira gargalhada juntaram-se muitas mais risadas. À primeira noite de amor, mil e uma noites de amor serão poucas…

Mas não somaremos bons momentos às contas da nossa vida, juntar-se-ao muitos outros momentos menos bons aos nossos dias.

Prepara-te porque escreveremos a primeira discussão que não será ficção e a ela surgirão muitas mais, vão surgir as primeiras lágrimas como resultado da jorrada de palavras ditas com a cabeça quente. Talvez venhamos a pensar desistir mais do que uma vez, mesmo que seja por escassos segundos, iremos morrer de ciúmes e discordar uma em outra vez.

Mas continuaremos a acrescentar páginas ao nosso livro, não será fácil como parece, vamos sorrir muito mas também existirão dias em que não quereremos sorrir um com o outro.

Desejo que na jornada que estamos a começar que nos lembremos SEMPRE de nos respeitarmos e que quando estivermos em conflito nunca esqueçamos de todos os motivos que nos juntaram.

Que os dias menos bons nunca se sobreponham aos bons momentos!

Francesca Bruni #casanovadobairroalto

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Detesto o domínio que tens em mim.

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Estes longos dias com que te privei do meu cheiro, acordou o teu demónio. Lançavas fogo dos olhos, e os teus lábios estavam sedentos. Contra a parede, estendi os meus braços para te impedir de investires em mim. Tentativa em vão. O teu corpo vence a minha força feminina e seguras as minhas mãos por cima da cabeça. Rasgas o meu vestido de uma só vez e com os dentes arrancas as cuecas. O frio que senti quando saí de casa foi substituído pelo calor infernal de um dia de verão.
Afastas-te. E encostas-te à parede paralela.
Sinto-me frágil, totalmente desprotegida. A ideia de alguém ver o que se está a passar neste beco, deixa-me nervosa.
Hoje a tua loucura tomou conta da tua mente. Não queres saber. Queres matar saudades do calor que te envolve assim que entras em mim.
Observas-me. Quase que consigo ver os teus olhos a reluzir de malícia. Sorris. O teu sorriso invade-me e faz-me corar. Aproximaste de mim, já com o corpo despido perto o suficiente para me embriagares com a tua respiração. Ferves. Percorres o meu corpo com a tua fome, mordendo e beijando todos os centímetros da roupa que me veste.
Com o teu braço contra a parede, olhas-me nos olhos. Demoras-te. Invades a minha alma, e percorres os meus desejos mais obscuros. Desejos fechados a sete chaves que escondo do mundo. «Eu sabia que atrás desse rosto de menina está um paraíso que nem tu nem ninguém nunca explorou. »
Irritas-me. Detesto o domínio que tens em mim. Tento-te afastar, e debato-me sobre a tua força, até cair exausta no teu ombro.
Seguras o meu rosto e afogas-te na minha boca.
O teu beijo vence a minha revolta pela forma que me lês, e sossego na tua boca.
O teu beijo, é intenso e demorado, as nossas línguas travam um combate incessável. O meu ventre procura-te. Quero-te dentro de mim. Puxo-te a favor do meu corpo, e desaperto-te as calças. Atordoas-me com a rigidez do teu desejo.
Contra a parede, abriste as cicatrizes que me provocaste da ultima vez e num só movimento, perfuras-me. Procuras os meus olhos húmidos de desejo e com uma das mãos a apertar o meu pescoço exploras as profundezas do meu ventre.
Juntos alcançámos a paz. Desencaixámos num beijo, terno e apaixonado que traz vida ao meu coração.
Enrolas-me numa manta que desconhecia trazeres contigo, e proteges-me do frio que agora já se faz sentir.
Deixámos aquele canto escuro com as roupas rasgadas no chão e ao colo levaste-me para a tua cama…

Francesca Bruni #casanovadobairroalto

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Naufragas dentro de mim.

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És um guloso pelo prazer mas muito mais pela mulher. E eu deixo-me ser o alimento da tua gula, deixo que me desembrulhes devagar sem pressa de acabar. Deixo que os teus dedos moldem os meus contornos e que o teu toque seja navegador no meu corpo. E nesta paixão que tens pela mulher, eu ganho por fazer parte da arte. Ganho a tua alma de poeta e coitos de tesão que rimam com paixão. Dou-me a ti de faces coradas e pernas afastadas, deixo que descubras que cores compõem  os meus gemidos enquanto naufragas dentro de mim.

Francesca Bruni #casanovadobairroalto

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Fugir sem sabermos para onde

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Fechamos as janelas, descemos os estores e corremos as cortinas.

Cortamos laços com o dia lá fora contrariámos a rotina, transformámos o sol em noite e tornámos-nos mais uma vez amantes.
O relógio foi atirado para uma gaveta qualquer, os telemóveis desligados, fechamos a porta e deixámos a responsabilidade lá  fora. Tantas pessoas a quem responder mas não quisemos saber.
Foi aquela vontade de fugir sem sabermos para onde e virar costas ao mundo e sermos só nós. Nós. E assim foi feita a nossa vontade.

Nós dois num mundo à parte, dentro de 4 paredes, o nosso refúgio isolado rodeados pela vida lá fora mas a vivermos outra realidade. A nossa. E fizemos daquela cama o nosso jardim onde nós fomos vida e cor em forma de flor. Descansamos do mundo e cansamos-nos um no outro, brincámos com o prazer suamos e gememos, e por fim adormecemos. Encomendamos comida quando os corpos pediram e não quando as horas impõem a refeição, seguimos a nossa vontade. Conversámos pouco, amamo-nos mais um pouco, suamos e gememos, e por fim adormecemos.

Abrimos as janelas as ruas estavam calmas, ligamos os telemóveis eram 7h da manhã.
O mundo despertava e nós  também.

Francesca Bruni #casanovadobairroalto

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Consumar o acto

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Escrevi ontem, escrevo hoje e escreverei amanhã, porque sou mil pessoas numa, porque sinto mil e uma coisas e sou apenas uma e porque em mim vive uma revolução de tempestades e dias de sol, pureza e devassidão, porque dentro de mim existem inúmeras personalidades e preciso de me arrumar.
E todos os dias pego na caneta. Todos os dias escrevo, não para tu leres, mas para mim, para arrumar as múltiplas pessoas que me compõem.
E sempre que nasce a vontade, tenho de a consumar. É um vicio ver as letras darem origem a uma palavra no papel, o acto é imediato. E se não for, as mãos transpiram  a mente enlouquece e o êxtase da-se na beleza de despir a tampa da caneta.
Escrevo quando tenho algo a dizer ou seja a toda a hora, porque sinto em todas as horas a todos os momentos e  porque todos os dias as minhas crenças actualizam e se ontem senti amor, hoje sinto dor e amanhã sentirei seja lá o que for. Como tudo o que sinto não cabe no segredo da minha alma, é por isso que partilho aqui no nosso canto #casanovadobairroalto.

Francesca Bruni

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Ego.

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É assim tão importante para o teu ego  saberes que me marcaste mais do que aquilo que te deixo saber? Sentes-te diminuído com a indiferença que te mostro? Se te faz dormir melhor, então não seja por isso, eu digo-te.
Sim fizeste-me estremecer e destrancar a porta à muito fechada. Só tinhas de rodar a maçaneta e chafurdares no meu coração. Guiei os teus passos, mostrei-te o caminho, transpareci o que queria dei-te respostas antes de teres perguntas, partilhámos suor, toquei-te saudosa dos momentos que adivinhava vir mais tarde. Enfim quis me dar sem restrições! Esta foi a importância que tiveste para mim. Tiveste. A dada altura, no passado.
Não viste o que podias ter e agora vês o que não podes ter.
E neste presente mostro-te a importância que já não tens… e não gostas… o teu ego não aceita, para a próxima desperta. ;)

Francesca Bruni #casanovadobairroalto

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Foi um pesadelo.

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Acordei em sobressalto ansiosa e agitada quase que a sufocar. A minha primeira reação assim que acalmei a respiração, foi chorar, não desalmadamente, mas conformada.
Senti as lágrimas a nascer e a empurrarem-se umas às outras como que a libertarem-se… prisioneiras da minha dor.
Desceram lentamento pelo rosto, fazendo comichão na pele quando estavam prestes a saltar para a almofada.
Respirei fundo e encontrei-me dividida entre o copo meio cheio ou meio vazio. Copo meio cheio porque voltaste a casa e confortaste o meu coração. Fazia tempo que não sonhava contigo, e esta é a única forma de te trazer até mim, de te ver e reavivar nas memórias a tua imagem que com o passar do tempo tem vindo a perder cor, o que me deixa assustada. Tenho receio de um dia fechar os olhos e ao tentar procurar-te não te conseguir ver, e se para te ver e avivar nas memórias tenha de ser em forma de pesadelos, que seja, todos os dias, não quero saber, quero te ver! Tudo para te ver, uma vez mais,
Inevitavelmente senti o copo meio vazio, os sonhos ou os pesadelos são reais naquele espaço de tempo em que se processam, mas quando desperto, a realidade é crua e desfalcada. Não és palpável, és passado, memórias, lágrimas e sorrisos, a vida segue e eu sigo junto com ela, forçada, vazia, com meio coração a transbordar de saudade… a desejar voltar a dormir, e quem sabe ver-te mais um pouco… e quem sabe se esse sonho ou pesadelo dure o suficiente para me tirar esta sensação de viver em metades…

Francesca Bruni #casanovadobairroalto

Posted by sofiarodrigues

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Somos tudo!

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As pessoas são fases, são faces da lua, são marés! Vento! Terra e fogo! São combinações, são poemas com mensagens a descodificar! E isto é… FASCINANTE!
Como tal, como posso eu não ter esta sede por respostas, esta constante actualização de ideias… eu gosto disto. Gosto mesmo!
Sou uma curiosa nata pela mente do outro, em descobrir como pensa e porquê, porque tomou aquela decisão e não a outra, não para julgar, apenas para ouvir e engavetar a informação. #AindaEstouNaFaseDosPorquês
Não me interessam grupos, tendências ou modas, mas saber quem são as pessoas enquanto ser individual. (Se me deixarem)
Somos de uma complexidade incrível mas também de uma simplicidade tão leve… somos camaleões, presas e predadores, somos larvas e borboletas,
Somos muitos, somos vastos!

Somos o tempo!

Somos estações!

Somos todos!

Somos tudo!

Posted by sofiarodrigues

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Enquanto me descubro

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Gosto de escrever e de me inventar no papel.
O que sou, quem sou, poucos o sabem e confesso nem eu mesma o saber.
O que sei, é que dentro de mim existe um mundo ilimitado de personalidades e de quereres.
Não sei o que quero ou quem sou.
Enquanto não o sei, sou tudo o que escrevo e tenho tudo o que invento.
Quando me apetece, posso ser uma mulher apaixonada. Esta mulher é amável, atenciosa, presente, prepara pic-nics, veste cores claras e acredita no amor para toda a vida. Ela espera pacientemente pela chegada do seu principe, e até posso imaginar esse momento. Ele surge diante de si entre a multidão a sorrir como se ela fosse o tesouro mais raro do mundo, e num abraço ela tem a certeza que é o seu mais que tudo.
Outras vezes,
Posso ser uma conquistadora mortal, onde a minha mente instiga e prende, e no meu corpo corre o sangue de Vênus que leva à loucura os homens que tropeçam nos meus saltos. Esta mulher sente cada noite de paixão que vive. Noites de verão eternas na memória de quem esbarra com ela.
Quando escrevo, tanto um amor para toda a vida ou noites num quarto de hotel enchem-me o peito.
A liberdade que a minha caneta me dá é momentânea, mas enquanto não me descubro, esta realidade traz brilho ao meu olhar.
O que eu hoje não sei de mim, descobrirei, amanhã.
Até lá,
Vivo o que escrevo. Risco e apago o que escrevo. Escrevo e vivo. Vivo e apago ou risco por cima.
A liberdade deste corpo e desta mente pertence-Me e os rabiscos da minha vida são o alimento de tudo o que escrevo.

Francesca Bruni

Posted by sofiarodrigues

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